Ao todo, e de acordo com o Atlas da Hotelaria 2015, elaborado pela consultora Deloitte, Portugal conta hoje com 1729 empreendimentos turísticos, ultrapassando os 130 mil quartos ou apartamentos, um aumento de 87% face a 2005, se se excluírem
os 71 hotéis rurais contabilizados a 31 de dezembro de 2014 (uma tipologia que não entrava nos registos em 2005). A consultora justifica esta evolução com o aumento da procura e, precisamente pelo mesmo motivo, antecipa que sejam construídas mais 53 unidades hoteleiras este ano.
Ainda assim, este aumento pode explicar-se, em parte - e sobretudo desde o ano passado -pela alteração ao regime jurídico dos empreendimentos turísticos, que passou a regular o alojamento local. "É um aumento aparente, apenas estatístico. Com a aprovação da chamada lei do alojamento local, esta tipologia passou a ser considerada turística e isso aumentou exponencialmente uma oferta que já existia, mas que não estava registada", nota Elidérico Viegas, presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), a região que concentra maior número de unidades de alojamento. O Algarve representa 33% do total da oferta turística do país, mas Elidérico Viegas afirma que, nessa região, o aumento referido pelo estudo "não se nota" e salienta que tem havido "estagnação e, em alguns casos, até contração, na oferta turística".
A verdade é que, apesar dos sucessivos números recorde - os hóspedes e as dormidas voltaram a crescer a dois dígitos no primeiro trimestre do ano, ascendendo a 2,8 milhões e 7,2 milhões, respetivamente - a hotelaria tem vindo a queixar-se da descapitalização do setor.
"É urgente que haja uma capitalização das empresas, seja através de capital de risco, seja através do chamado banco de fomento", dizia, em abril, Luís Veiga, presidente da Associação de Hotelaria de Portugal, na sequência de uma notícia, publicada pelo DN, que dava conta de que 60% das empresas de hotelaria e restauração estarão em alto risco de falência.
Lisboa fatura mais
Na última década, todas as regiões do país viram aumentar as receitas por quarto disponível, com a exceção da Região Autónoma dos Açores. O destaque vai para Lisboa com uma receita por quarto disponível de 47,9 euros, mais 5,47 euros do que em 2013. Já os proveitos de aposento, em todo o país, ascenderam a 1500 milhões de euros no ano passado.
Quanto às maiores cadeias hoteleiras, os grupos Pestana, Vila Galé e Accor Hotels formam, pelo décimo ano consecutivo, o top 3 do ranking nacional. O grupo Pestana lidera com quase 7 mil unidades de alojamento, quase o dobro do que oferecia em 2005.
dinheirovivo.pt
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